Quero acreditar nisso também, viu?
É fácil amar a outra na mesa de bar, quando o papo é leve, o riso é farto, e o chopp é gelado. É fácil amar a outra nas férias de verão, no churrasco de domingo, nas festas agendadas no calendário de vez em quando. Difícil é amar quando a outra desaba. Quando não acredita em mais nada e entende tudo errado. E paralisa. E se vitimiza. E perde o charme. O prazo. A identidade. A coerência. O rebolado.
Eles se amam, todo mundo sabe mas ninguém acredita. Não conseguem ficar juntos. Simples. Complexo. Quase impossivel. Ele continua vivendo sua vidinha idealizada e ela continua idealizando sua vidinha. Alguns dizem que isso jamais daria certo. Outros dizem que foram feitos um para o outro. Eles preferem não dizer nada. Preferem meias palavras e milhares de coisas não ditas. Ela quer atitudes, ele quer ela. Todas as noites ela pensa nele, e todas as manhãs ele pensa nela. E assim vão vivendo até quando a vontade de estar com o outro for maior do que os outros. Enquanto o mundo vive lá fora, dentro de cada um tem um pedaço do outro. E mesmo sorrindo por ai, cada um sabe a falta que o outro faz. Nunca mais se viram, nunca mais se tocaram e nunca mais serão os mesmos. É fácil porque os dias passam rápidos demais, é dificil porque o sentimento fica, vai ficando e permanece dentro deles. E todos os dias eles se perguntam o que fazer. E imaginam os abraços, as noites com dores nas costas esquecidas pelo primeiro sorriso do outro. E que no momento certo se reencontram e que nada, nada seja por acaso.
Um dia você vai estar sozinho, vai fechar os olhos e tudo estará negro. Os números da sua agenda passarão claramente na sua frente e você não terá nenhum numero mais pra discar. Sua boca vai tentar chamar alguém, mas não há ninguém solidário o bastante pra sair correndo e te dar um abraço, ou te colocar no colo e acariciar seus cabelos até que o mundo pare de girar. Nessa fração de segundos, quando seus pés se perderem do chão, você vai se lembrar da minha ternura e do meu sorriso infantil. Virão súbitas memórias dos meus abraços e beijos, da minha preocupação com você, e só vão ter algumas musicas repetindo no seu rádio: as nossas. Em um novo momento, você vai sentir um aperto no peito, uma pausa na respiração e vai torcer bem forte pra ter nosso mundo delicioso de novo. O nome disso é saudade, aquilo que eu tinha tanto, e te falava sempre. E quando você finalmente discar meu numero, ele estará ocupado demais, ou nem será mais o mesmo, ou até mesmo eu não queira mais te atender. E se você bater na minha porta, ela estará muito trancada, e se aberta, mostrará uma casa vazia. Seus olhos te ensinarão o que é lágrimas, aquelas que eu te disse que ardiam tanto. O nome do enjoô que você vai sentir é arrependimento, e a falta de fome que virá se chamar tristeza. Então, quando os dias passarem e eu não te ligar, quando nada de bom te acontecer, e ninguém te olhar com meus olhos encantados, você encontrará a famosa solidão. A partir daí, o que acontecerá, chama-se surpresa. E provavelmente o remédio pra todas essas sensações acima… É o tal do tempo em que você tanto falava.

E se eu nunca mais beijar seus lábios novamente, ou sentir o toque do seu doce abraço? Bem, algum dia o amor te trará de volta pra mim. Enquanto isso não ocorre eu terei que acreditar que em algum lugar lá fora você está pensando em mim. Olhando uma fotografia e outra encontro a nossa: você com os olhos castanhos tímidos, sorriso gracioso e delicado. Sinto um aperto no peito, fecho os olhos e te sinto aqui. Sinto o perfume dos seus cabelos. Ouço o murmúrio do teu silêncio. Sinto o doce veneno dos teus lábios. E me dá uma saudade irracional de você…

Você desistiu, eu não posso acreditar nisso. Eu não acredito que você me olhou daquele jeito na noite passada e me disse todas aquelas mentiras manchadas de cigarro. Qual era a sua intenção? Consertar-me no final ou apenas rir da piada? Garoto, você me deixou tão sem palavras. Como você pôde desistir depois de todas as nossas bebidas juntos, depois das noites em bares? Eu faria promessas por você, e mesmo assim você desistiu de tudo. Por quê? Eu sei que é complicado. Eu sou um fracasso no amor, mas meu amor os caminhos estavam tão abertos. Você podia ter feito tantas outras coisas ao invés de partir meu coração.

Você me vê e sorri. Abaixa e me beija, sussurrando desculpas pela noite maldormida. Eu entendo que posso passar mais cem mil noites como essa porque tudo o que me importa é abrir os olhos e ver você, todos os dias, do meu lado. Você deita a cabeça em meu ombro e diz que me ama. E a vida, outra vez, faz muito sentido.

Já perdoei erros imperdoáveis. Tentei substituir pessoas insubstituíveis, e esquecer pessoas inesquecíveis. Já fiz coisas por impulso. Já me desiludi com pessoas que nunca imaginei que me desiludiriam. Mas também já desiludi alguém. Já abracei para proteger. Já ri quando não devia. Fiz amigos eternos, e amigos que nunca mais vi. Amei e fui amada. Mas também já fui rejeitada. Fui amada e não amei. Já saltei e gritei de tanta felicidade. Mas também me magoei muitas vezes. Já vivi de amor e fiz promessas eternas. Já telefonei só pra ouvir uma voz. E já me apaixonei por um sorriso. Já pensei que fosse morrer de tanta saudade. Já tive medo de perder alguém especial. E perdi. Mas vivi e ainda vivo. E tu também deverias viver. Bom é lutar com determinação. Abraçar a vida com paixão. Perder com classe e vencer com ousadia. Porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito para ser insignificante.
Me explica? Me explica por que quando eu fecho os olhos é você quem eu vejo? E eu te vejo assim, aos lados, em cima, embaixo, por fora e por dentro de mim. É você quem sorri, conta histórias, me tira do sério, faz ares de palhaço, pinta segredos, me faz te odiar e te amar. E é agora que eu conto a parte interessante: eu quero pisar sobre estrelas. Sem esperas, sem amarras, sem receios, sem sentido, sem passados. É preciso que você venha. Abandone os antes. Chame do que quiser. Mas venha.
Algo me dizia: ‘Não adianta menina, isso é amor’. Não sei como funciona, mas eu olhava e pensava: ‘Quero pra mim. Quero cada centímetro pra mim’. Mas dá um frio na barriga, um medo, um tremor, um medo de sofrer, de escolher errado. Um medo de lutar por alguém que não vale a pena. O coração nem sempre é o mocinho, as vezes ele prega peças, talvez só para provar que também sabe ser vilão.
Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu

